Domingo, 21 Dez 2014
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ENTREVISTA SOBRE TRINCA DE TORNEIO: MUITO BOA!!!! PDF Imprimir E-mail
Escrito por ANTONIO ANDRE BARROS   
Qui, 02 de Junho de 2011 14:02
A entrevista  é sobre manejo para fibra, tendo como convidado o Sr Basilio Tojo de São Bernardo do Campo - SP, o criador nos dará algumas dicas valiosas de como iniciar o manejo com Trinca-Ferro para torneios de fibra.

Então, acomodem-se na cadeira e boa leitura!

-Como você procede na análise das características de um pássaro, pra descobrir se ele tem ou não aptidão para torneios de fibra, e se vale a pena investir em um treinamento?
 
BT - Busco sempre pelas principais, que são valentia e retomada rápida do canto.
 
Sabemos que cada pássaro tem um manejo diferente, mas existe algum manejo geral para todos os Trincas?
 
BT- Não, o manejo de cada trinca varia de pássaro para pássaro e de acordo com a observação do expositor. Se o pássaro gosta de fêmea, qual é o ponto, se não gosta, como descobrir? Encontrar esse ponto de equilíbrio é na minha opinião, o grande desafio.
 
- Qual sua experiência com relação à genética em relação a pássaros para fibra? Qual percentual do sucesso de uma ave você atribuiria a isso?
 
BT - Ultimamente, temos vários criadores apostando em genéticas de ponta, e temos visto resultados muito positivos, talvez ainda estejamos engatinhando na fibra de trinca-ferro, mas os criadores de bicudo e curió se destacam nessa modalidade há tempos.
 
- Todo o pássaro de torneio deve morar sozinho?
 
BT - Depende de cada espécie.  Bicudos e curiós, na maioria das vezes, gostam de ter parelhas, mas no caso do trinca-ferro, eu não deixo mais do que um macho ou um casal no mesmo ambiente (respeitada a distância de acasalamento). Já o canário da terra, por experiência própria, obrigatoriamente morar sozinho e sem fêmea.
 
- Tem pessoas que no dia do torneio utilizam um tipo de ração diferente daquela que o pássaro está acostumado, isso pode ajudar ou atrapalhar, ou não faz diferença?
 
BT - O pássaro deve estar acostumado com a ração sim, mas não necessariamente gostar dela. Tem sempre aquela máxima que diz que o pássaro tem que cantar e não comer, eu discordo, uma vez que se estiver com fome, ira render menos. Costumo disponibilizar frequentemente a ração que utilizo na roda para meus pássaros. A fruta que será colocada na gaiola também deverá ser oferecida no dia a dia, senão, por ser novidade, o pássaro pode não parar de comer ou aumentar a frequência das bicadas na fruta.
 
- Muito tem se falado em suplementos e complementos para pássaros de torneio, você é adepto destes produtos? Se sim quais produtos?
 
BT - Sou adepto sim, mas sem exagero. No dia a dia costumo misturar Aminomix (pó) na ração / sementes, e no início da temporada, entro com o Fertivit. Na semana do torneio, ministro, de acordo com a bula, o Hidraforte (repositor eletrolítico) e o Açúcar de Uva. Se perceber que o pássaro não está rendendo na roda, costumo colocar algumas gotas de Glicopan na água, isso ajuda o pássaro a manter o nível de energia durante o torneio.
 
- Quando você coloca fêmea em um Trinca-Ferro pela primeira vez, tem algum procedimento que você gosta de usar? Ou faz diferente para cada pássaro e se faz como identificar qual a melhor forma de aproximar a fêmea do Trinca? Como descobrir o ponto certo de fêmea?
 
BT - Eu deixo por um tempo no piado e depois vou aproximando a gaiola da fêmea. Se perceber que eles estão se conversando, ótimo, o caminho é por aí e passo ficar de olho no ponto do macho, até encostar, ou não, os dois. Do contrário, caso perceba que o trinca não gostou da fêmea, às vezes não tem jeito e a solução é substituí-la mesmo.
 
- Ninho na gaiola do casal, você acha que melhora o desempenho?
 
BT - Sim, tanto na gaiola da fêmea quanto na do macho. Esse procedimento ajuda bastante no acasalamento e colabora muito para esquentar os dois.
 
- Você costuma levar a fêmea junto para o torneio? E quando o torneio é na sua cidade, e não precisa viajar na véspera, a fêmea vai junto assim mesmo?
 
BT - Já teve casos de levar a fêmea, mas tenho a opinião que o manejo com a fêmea deve ser feito em casa, independente se o torneio é na cidade ou não. Isso não é regra, tem trincas que somente cantam se forem ao torneio colados com a fêmea, senão correm o risco de não segurarem o “fogo” até o final. E obviamente temos aqueles que cantam (e muito) independente sem tem fêmea ou não.
 
- Qual é o tipo de fêmea ideal para um Trinca-Ferro de roda?
 
BT - Não existe uma fêmea ideal, mas eu particularmente não gosto de fêmeas que pedem gala com facilidade. O fato de pedir gala sempre que ver o macho pode deixá-lo muito nervoso e só querer saber de briga ou passar do ponto e deixá-lo choco. Marcheadeira e chamadeira todas tem que ser, aos que costumam, como eu, deixar somente no piado, é essencial que a fêmea tenha essas características.
 
- Quanto tempo antes do início da temporada é o ideal pra começar a passear com o Trinca, começar a puxa-lo para que comece a temporada já pronto?
 
BT - Em meados de Julho já podemos dar umas saídas, badernas leves, sem forçar.
 
- Que manejo você julga ideal durante a semana para preparar um Trinca-Ferro para um torneio? Alimentação, gaiolão, como enfemear, quando e como levar pro mato?
 
BT - A alimentação de qualidade deve ser em período integral, não somente na semana do torneio. Meu trinca mora na voadeira direto (2m x 0,70m x 0,35m) só sai de lá para ir para gaiola de torneio.
 
Como possuo somente um casal, os dois conversam bastante durante a semana e no sábado que antecede o torneio encosto à gaiola dela até o local em que sei que ele não irá passar do ponto. No meu caso, não os deixo se ver ou dormirem juntos, do contrário, meu trinca somente quer brigar e esquece de cantar.
 
Não tenho costume de passear com trinca no mato, por ser sócio do clube de Santo André e termos uma bela sede, com toda estrutura necessária para treinamento dos trincas, não vejo a necessidade deste procedimento.
 
- Considerando um manejo ideal durante a semana. Qual é a melhor forma de puxar um passarinho na roda? Como devemos proceder antes de colocar o trinca-ferro na estaca?
 
BT - Alguns trincas gostam de “sentir” a roda e abrir o canto antes de serem pendurados na estaca, ou mesmo necessitam dar uma volta (encapados ou não) para chegarem cantando quando adentrarem no recinto.
 
- Como identificar o melhor tipo de gaiola e empoleiramento para que o pássaro tenha seu melhor potencial na roda?
 
BT -  Vai do comportamento do trinca. Trincas que descem muito para brigar, devem ser travados na parte de cima da gaiola, ou pelo menos, os poleiros estarem disposto de forma a facilitar o retorno. Na maioria das vezes, o empoleiramento ideal é o básico mesmo: dois poleiros encostados nas testeiras e um no centro, um pouco mais elevado.
 
- Você considera importante e/ou interessante o uso de chia nos trincas ou isso só aumenta a sua agressividade e consequentemente o pássaro tem um rendimento abaixo do esperado?
 
BT - Eu particularmente acho desnecessário, nos coleiros é muito comum, mas ouço poucos relatos de chias sendo usados para os trincas, pelo menos, os trincas de ponta não precisam.
 
- Em torneios nacionais em que se anda muito de carro com o trinca, qual é a melhor forma de transportá-lo? Melhor horário? Com quantos dias de antecedência é interessante chegar ao local visando o completo descanso da ave? E como levar a fêmea sem que o trinca-ferro fique choco ou passe do ponto?
 
BT - Diretamente na gaiola de torneio, preferencialmente suportes que deixam a gaiola virada para frente, de forma a evitar que o trinca se machuque caso seja necessária uma frenagem mais brusca.
 
Costumo sair bem de manhã, o ideal é evitar os horários de pico do sol, mas se não tiver jeito, deixar o veículo bem arejado e fazer paradas constantes, para que o trinca beba água e se alimente.
 
Deixar um pedaço de pepino, maxixe ou lima da pérsia ajuda bastante na hidratação.
 
Os trincas de roda mais tarimbados viajam travados em suas fêmeas, mas alguns estranham esse artifício e penso eu ser melhor levá-los sem se ver durante o percurso, ou encapados individualmente ou separados no veículo mesmo, tipo um em cima do banco e outro no porta-malas, desde que tenha a circulação de ar necessária.
 
Depende muito da distância, normalmente, 1 dia de antecedência já é o suficiente.
 
Quando viajo, tento ficar em um quarto de hotel separado dos demais expositores e se possível, alugo um quarto somente para deixar o pássaro, deixando-o descansar e não o incomodando com acender de luzes, barulho de TV ou conversas.
 
Ano passado, eu e alguns companheiros utilizamos esse artifício, obviamente, deixando no mesmo quarto espécies diferentes (canário, coleiro e trinca).
 
 
- Em resumo como seria o processo de treino de um pássaro pra fibra desde o seu nascimento até a grande hora de ganhar um troféu?
 
BT - Essa fórmula é mágica e até hoje quem conhece não divulga. Um grande passo é o encarte da ave, com mestre o cd voltado para fibra, os demais, muito passeio e badernas para deixar o bicho sem vergonha mesmo, acostumado a cantar em qualquer lugar, perto de tudo e de todos, mas creio que o mais importante é acostumá-lo com o ambiente dos torneios desde cedo.
 
- Existe algum macete que você descobriu nesses anos que melhore o desempenho do trinca-ferro na roda?
 
BT - Aprendi muito com a observação, muito do que faço é comum a todos e não é nada de mais. Tento fazer o pássaro se sentir bem, garanto-lhe um bom trato e vejo se ele corresponde na roda.  Na minha opinião, os procedimentos em casa se refletem no desempenho do torneio.
 
- Você faz algum tipo de exame no pássaro ao longo do ano? Com que frequência o pássaro deve visitar o veterinário?
 
BT - Quando meus pássaros entram em muda, costumo coletar material (fezes) e solicitar o exame protoparasitológico. Se der positivo para algum agente, retorno imediatamente ao veterinário para indicação do tratamento.
 
- Em nível nacional/estadual o que falta para que a modalidade de competição de fibra de Trinca-Ferro possa navegar de vento em polpa?
 
BT - Empenho das entidades e principalmente organização. A fibra de trinca requer espaços amplos, salubres e com boa iluminação, estacas de qualidade, bem posicionadas e organizadas, permitindo o trânsito de expositores sem atrapalhar os pássaros.
 
Em nosso meio, existem mais pessoas que critiquem do que as que realmente façam alguma coisa em prol da fibra de trinca, temos poucos abnegados para isso. Mesmo sendo a maioria, está nos faltando uma pitada de união para sermos tão organizados quanto os torneios de canto de curió.
 
A categoria é de longe a que enche os bolsos dos clubes e das Federações, passou da hora desse pessoal se importar somente com o dinheiro que entra e começar a investir nos torneios.
 
- Qual a mensagem que você gostaria de deixar aos leitores do Blog que sonham em ter um Trinca-Ferro campeão? 
 
BT - Caros amigos, o caminho não é fácil, mas é preciso ter persistência. Fazer um trinca campeão, e quando começamos do zero, é necessário ter muita dedicação e atenção em tempo integral.