Quarta, 30 Jul 2014
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ENTREVISTA: MANEJO PARA TRINCA DE RODA: BOAAA PDF Imprimir E-mail
Escrito por ANTONIO ANDRE BARROS   
Sex, 05 de Agosto de 2011 12:16

Palavra de Mestre: William Sedimar

Quinta-feira, 04 de agosto de 2011

Caros amigos,

Estamos de volta com mais uma entrevista e o convidado da vez agora é o amigo William Sedimar da cidade de Dom Sivério/MG. Uma linda cidade situada no vale do Rio de Peixe, cercada por montanhas. Na oportunidade, aprenderemos mais alguns macetes sobre como manejar um Trinca-Ferro para torneios de fibra.

Acomodem-se e boa leitura!!!


TFV - Como você procede na análise das características de um pássaro pra descobrir se ele tem ou não aptidões para torneios de fibra. Vale a pena investir em um treinamento?

WS - Busco pássaros rápidos. Acho que não vale investir em um Trinca-Ferro que tem uma retomada de canto demorada, mesmo que tenha um canto longo, se ele tem boa retomada vale a pena tentar.
 
TFV - Sabemos que cada pássaro tem um manejo diferente, mas existe algum manejo que geral para todos os Trincas?
 
WS - Descanso e isolamento seja Trinca ou outra espécie qualquer, o pássaro que se desgasta muito no dia a dia tende a não manter uma performance por um período longo, ainda que arrebente em uma ou outra roda, mas em geral não mantém um padrão de rendimento.
 
TFV - Qual sua experiência com à genética em relação a pássaros para fibra? Qual percentual do sucesso de um pássaro você atribuiria a isso?
 
WS - Em Trinca-Ferros ainda é cedo para falarmos sobre genética. Somente ano passado consegui um Trinca rápido, que galava. Embora este mesmo Trinca tenha outros filhos, eles não foram testados em roda, pelo menos não que eu saiba. O filhote dele criado aqui ano passado está com 10 meses. Consegui também um outro filho dele com 4 anos que testarei este ano, ai veremos o que vai dar.
 
Entretanto, como são F1, mesmo que não rendam bem é necessário continuar o cruzamento para dizer se a genética pode ou não dar resultado. O que temos visto nos curiós prova que a genética é fundamental para o sucesso.
 
TFV - Todo o pássaro de torneio deve morar sozinho?
 
WS - Isto é fato. Mais de um pássaro o desgaste é inevitável, mas já vi resultados consideráveis onde eram mantidos dois no mesmo ambiente, e os dois foram campeão e vice na temporada. Por priorizar a criação eu não tive a oportunidade de trabalhar um único pássaro por uma temporada, o que será feito nesta temporada.
 
TFV - Tem pessoas que no dia do torneio utilizam um tipo de ração diferente daquela que o pássaro está acostumado. Isso pode ajudar, atrapalhar ou não faz diferença?
 
WS - Pode ajudar, atrapalhar e também não fazer diferença, vai de cada pássaro e da ração. Veja bem! Uma ração que o pássaro não goste fará o pássaro comer menos durante a roda, porém na hora que a fome apertar ele vai comer, e no fim (marcação) ele estará com mais fome. Se usar uma diferente que ele não conheça, pode acontecer dele não comer nada, e cair o rendimento por falta de energia. Este ano vou usar uma única ração que ele come no dia a dia, porém composta de grãos miúdos o que acho que facilita na hora dele comer já que não vai quebrar os grãos. 

Mas assim, como tem trincas que praticamente não comem na roda, tem outros que necessitam comer muito e para estes não faz muita diferença porque eles vão comer de qualquer jeito. Não se pode esperar que isto vá aumentar o rendimento, este procedimento pode apenas ajudar na hora da marcação fazendo com que  o pássaro não perca tempo no cocho.
 
TFV - Muito tem se falado em suplementos e complementos para pássaros de torneio. Você é adepto a estes produtos? Se sim, quais?
 
WS - Gosto de usar Glicopan, três vezes por semana, no dia do torneio às vezes açúcar de uva.
 
TFV - Quando você coloca fêmea em um Trinca-Ferro pela primeira vez, tem algum procedimento que você gosta de usar, ou faz diferente para cada pássaro? Como descobrir a melhor forma de aproximar o Trinca da fêmea, como descobrir o ponto certo de fêmea?

WS -  Bem, é sempre diferente. Como eu tinha sempre mais trincas e várias fêmeas em casa, eu usava o seguinte: deixava do lado de sexta a sábado, à tarde eu permitia que se vissem e dormiam desse modo. Tive um Trinca que só funcionava se eu deixasse outro Trinca perto colado em alguma fêmea as uns 5 metros dele, ele só ouvia piados dos dois. O ponto certo é aquele que deu certo, ai você repete. Este ano vou iniciar com um Trinca sem fêmea, depois, testo com fêmea e veremos o que será melhor.
 
TFV - Ninho na gaiola do casal, você acha que melhora o desempenho?
 
WS - Só usei isto com coleiros. Com Trincas, penso que vão ficar chocos, mas não conheço alguém que use este método. Outra coisa, poucos Trinca-Ferros aninham, já os coleiros gostam de aninhar.
 
TFV - Você costuma levar a fêmea junto para o torneio? E quando o torneio é na sua cidade, e não precisa viajar na véspera, a fêmea vai junto assim mesmo?
 
WS - Não costumo levar, pois sempre estava com mais de um trinca. Gostava de levar um filhote para passear também. Este ano, que parei a criação de trincas para me dedicar aos bicudos, poderei competir só com um, e assim caso ele necessite da fêmea, vou testar se é melhor ela ir junto ou não.
 
TFV - Qual é o tipo de fêmea ideal para um Trinca-Ferro de roda?
 
WS - Sinceramente não sei, conheço um Trinca de bom rendimento na minha região que a fêmea dele é virtual, só vê no computador no sábado à tardinha. Mas o maior problema que encontrei é quando a fêmea pede gala. Os Trincas costumam ficar chocos e afrouxam, costumam também enfemeiar com um Trinca corrido na roda. Penso que as fêmeas mais valentes que não se submetem aos machos são melhores para torneio. Cada pássaro é um universo a ser explorado pelo criador.
 
TFV - Quanto tempo antes do início da temporada é o ideal pra começar a passear com o Trinca, começar a puxa-lo para que comece a temporada já pronto?
 
WS - Passear só quando já estiver cantando, antes podemos acarretar um repasse de muda, ou uma muda no meio da temporada. Só gosto de iniciar passeios depois da metade de julho, quando já estão cantando bem. A maioria dos Trincas de torneio não passeiam só saem de casa para ir na roda e voltam para casa.

 
TFV - Que manejo você julga ideal durante a semana para preparar um Trinca-Ferro para um campeonato? Alimentação, gaiolão, como enfemear, quando e como levar pro mato?
 
WS - Boa alimentação é fundamental. Como são verdadeiros atletas, os gaiolões são necessários para manter o condicionamento físico. Enfemar caso o pássaro seja de fêmea, mas levar no mato em alguns casos é bom,  no entanto, a IN 15 proíbe tal prática.
 
TFV - Considerando um manejo ideal durante a semana. Como devemos proceder antes de colocar o Trinca-Ferro na roda?
 
WS - Não tem muito segredo, trinca não é como coleiro. No entanto, é bom não colocar muito cedo dentro do ginásio onde normalmente tem outros, podendo deixá-lo no carro até uns 10 minutos antes de pendurar é bom, pra evitar um desgaste desnecessário antes da hora, no mais é pendurar e deixar por conta dele.
 
TFV - Como identificar o melhor tipo de gaiola e empoleiramento para que o pássaro tenha seu melhor potencial na roda?
 
WS - O empoleiramento pode fazer um Trinca aumentar o diminuir o número de cantos. Temos que observar bem e na roda mesmo, tem Trincas fogosos demais que gostam de voar de um lado para outro o tempo todo. Para estes, temos que quebrar o vôo direto evitando o esgotamento físico. Outros gostam de gradear, então é melhor colar os poleiros, para que não tenham espaço entre o poleiro e a grade. Isso é só observando mesmo. Quanto à gaiola, para os pássaros muito agitados, que gostam de voar de uma grade à outra, é melhor gaiolas menores, o mínimo permitido no regulamento.
 
TFV - Você considera importante e/ou interessante o uso de chia nos Trinca-Ferros ou isso só aumenta a sua agressividade e consequentemente ter um rendimento abaixo do esperado?
 
WS - Nunca usei, porém só vi uso de chia com sucesso até hoje com coleiros. Eu mesmo, ainda não usei. Não tenho coragem de fazer, acho uma sacanagem com o bichinho, é mais ou menos como o bulling com crianças. ( risos )
 
TFV - Em torneios nacionais, em que se anda muito de carro com o pássaro, qual é a melhor forma de transportá-lo? Melhor horário, quantidade de dias que antecedem a chegada ao local, visando o completo descanso da ave, e como levar a fêmea sem que o Trinca-Ferro fique choco ou passe do ponto?
 
WS - Não participo do nacional, mas creio que é bom viajar na sexta. Assim, o pássaro terá o sábado inteiro para se recuperar.
 
TFV - Em resumo, como seria o processo de treino de um pássaro pra fibra desde o seu nascimento até a grande hora de ganhar um troféu?
 
WS - Difícil. Trinca-Ferro não tem muito de treino e sim tarimba, experiência, ou seja, eles cantam na cara porque gostam de disputar. O negócio é esperar o momento de levar, controlar a ansiedade para não forçar um filhote fora da hora. É normal um pássaro render melhor no segundo ano de competição que no primeiro.
 
TFV - Existe algum macete que você descobriu nesses anos que melhore o desempenho do Trinca-Ferro na roda?
 
WS - Sim: acertar a fêmea, ou retira-la, passeio um dia antes, isolar o pássaro. Tem ainda o empoleiramento, que pode fazer diferença, o tipo de fruta, frutas que podem soltar pedaços grandes no bico do pássaro devem ser evitadas (pode acontecer do pássaro ficar brincando com aquilo e perder tempo). No mais, o que temos que fazer é dar o melhor tratamento possível para que o pássaro tenha condições físicas e psicológicas de fazer o seu melhor. Este tratamento inclui alimentação de qualidade, gaiola que permita exercitar-se e descanso durante a semana.
 
TFV - Você faz algum tipo de exame na ave ao longo do ano? Com que frequência o pássaro deve visitar o veterinário?

WS - Não temos na região veterinário que entenda de pássaros, então, não faço exames. Uso
vermífugo após a muda, e logo depois do vermífugo entro com um complexo de vitaminas por uma semana. Já fiquei sem fazer isso, mas não gostei do resultado na criação, perdi muitos filhotes. Para torneio não tenho como dizer se faria tanta diferença asssim.
 
TFV - Em nível nacional/estadual o que falta para que a modalidade de competição de fibra de Trinca-Ferro possa navegar de vento em popa?
 
WS - Já navega de vento em popa. Na minha região é o pássaro que mais se vê nas rodas, só vi perder mesmo em quantidade para os Coleiros em Ubá, no mais os Trincas têm dominado mesmo as rodas.
 
TFV - Qual a mensagem que você gostaria de deixar aos leitores do Blog que sonham em ter um Trinca-Ferro campeão?
 
WS - Entre o Trinqueiros ainda é um problema a falta de paciência. Todos querem um campeão, mas não querem fazer um trabalho de seleção genética. Querem um filhote que já cante bem no primeiro ano. Muitas vezes é preciso cruzamento de várias gerações para se chegar em um pássaro diferenciado. Então digo que é bom buscarem filhotes de pássaros rápidos e valentes, e trabalhar com eles, não dando certo tentem tirar alguns filhotes dele com filhas de outro também rápidos. Nem todos filhotes de campeão serão campeões, talvez nenhum, mas quem sabe os netos ou bisnetos? Criar é necessário.
 

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Agradecimentos
Em especial a William Sedimar,
Márcio Roque pelo tempo despendido na correção do texto